Viver em Camadas

30/setembro/2009
Por: Marcel Steiner
Criar uma casa num terreno profundo e com apenas três metros de largura foi o grande desafio deste projeto na cidade de Kobe, no Japão. O arquiteto Hiroaki Ohtani, morador da residência, transformou o problema no grande atrativo do projeto.
"O interessante desta casa foi a forma como o arquiteto resolveu o problema do espaço em um terreno estreito, tão típico do Japão. Ele consegue criar uma residência pequena, com menos de 80 m², mas muito aconchegante", explica a arquiteta e florista Ana Savini Pettoruti*.
A casa foi construída com lâminas de concreto reciclado, derivadas de restos de emendas dos trilhos ferroviários. A morada foi literalmente executada em camadas - as folhas horizontais de concreto são fixadas com cabos e perfis de aço. "As lâminas de concreto criam um efeito ótico horizontal que dá proporções infinitas a casa, levando à impressão de que ela é muito maior do que realmente é", observa Ana.
A fachada frontal, com três metros de largura, é composta de uma grande folha de vidro. No restante da casa não há janelas nem portas, com exceção dos banheiros, que podem ser fechados. Boa parte da iluminação vem das aberturas feitas na cobertura. "Realmente, me encantam os efeitos de luz e sombra que as lâminas de concreto e as aberturas na cobertura proporcionam", completa Ana.
O projeto é prova de que a boa arquitetura consegue resolver problemas decorrentes da falta de espaço de alguns terrenos. Hiroaki Ohtani criou uma casa compacta, surpreendente e confortável, que lhe rendeu um prêmio no mesmo ano em que foi construída.
* Ana Savini Pettoruti é arquiteta, paisagista e florista formada em arquitetura e urbanismo pela Escola da Cidade (AEA/USP). Abriu o Atelier Ana Pettoruti em 2009, onde desenvolve projetos de paisagismo e arranjos florais.
www.atelieranapettoruti.blogspot.com
Layer House
Arquitetura: Hiroaki Ohtani, 2005
Kobe, Japão
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