Infusões Mágicas

Não ao saquinho! A melhor maneira de beber o chá,
segundo experts, é misturando as folhas soltas à água quente.
11/outubro/2005
Por: Gabriela Sampaio
O chá é uma parte tão intrínseca à cultura e estilo de vida britânicos, que são comuns expressões como cup of tea para descrever a preferência de alguém. Tomar uma xícara de chá, ou cuppa, como se diz atualmente, tem a mesma importância de beber o cafezinho tão adorado entre os brasileiros. Talvez até mais.
Mas antes de ser uma característica inglesa, o chá já era visto como algo de suma importância entre outros povos. É possível rastrear sua história até 4500 anos atrás. Aparentemente a primeira xícara de chá, talvez como a maioria das grandes descobertas, foi um acidente. Segundo a mitologia chinesa, em 2737 AC, o imperador chinês Shen Nung (um estudioso e herbalista) estava sentado sob uma árvore enquanto era servido de água quente por um empregado. Uma folha da árvore caiu na água quente e o imperador resolveu provar a mistura.
Nascia ali a bebida que os chineses não tardaram em classificar como refrescante e benéfica para a saúde. Durante a dinastia Tang (618 AC - 906 DC) ela alcançou o status de bebida nacional e ganhou o nome de ch'a, "por acaso" muito similar a palavra chá, em português.
Falando em portugueses, nossos colegas d'além mar tiveram papel importante na propagação da bebida fora da China e também da Arábia - onde já era conhecida -, do Japão e Índia (nos quais lendas do Zen Budismo atribuíam às folhas de chá o fato do monge Bodhidharma conseguir se manter acordado depois de 7 anos ininterruptos contemplando Buda).
Responsáveis por abrir as rotas marítimas para a China no início do século XVI, os portugueses levavam em suas viagens inúmeros jesuítas. Foram estes padres que levaram de volta para a Europa a fumegante infusão oriental que mais tarde se tornaria bebida prediletas de outros povos. Os holandeses e os venezianos - assim como os lusitanos destemidos navegadores - também têm sua parcela de "culpa" na tomada do Velho Mundo pelo chá, que rapidamente passou a ser comercializado entre as outras especiarias.
De poderes calmantes e saudáveis, o chá virou assunto controverso em 1773. O episódio conhecido como A Festa de Chá de Boston (The Boston Tea Party), um dos estopins para a independência americana, aconteceu quando 60 comerciantes americanos disfarçados de índios Mohawk invadiram três navios da Companhia das Índias Orientais e jogaram no mar trezentas caixas de chá em retaliação ao monopólio britânico sobre o produto. Antes do incidente, os americanos bebiam mais chá e os ingleses mais o exótico café. Em sinal de patriotismo os americanos deixaram de tomar a bebida e os ingleses pararam com o café.
Cultivado principalmente na China, Índia, Sri Lanka, Taiwan, Japão, Nepal, Austrália e Quênia, o chá é proveniente da planta Camellia Sinensis, da família das Teáceas. Infusões provenientes de outras plantas, como hortelã, camomila, mate e erva-cidreira, também são encaixadas nesta categoria, apesar de não serem chás de verdade. Os principais tipos de chá são o Verde (sencha, bancha), o Preto (Earl Grey, English Breakfast e Orange Pekoe), o Oolong e o Branco (Bai Mudan e Yinzhen Silver Needle).
Refrescante e natural, a bebida pura tem 0 calorias e é rica em magnésio e potássio. Quando misturada com leite (a maneira favorita entre os britânicos), torna-se fonte ideal para a ingestão de cálcio, zinco, vitaminas B1, B2 e B6 e ácido fólico. Pesquisas recentes também apontam o chá como uma mina de antioxidantes, os mais perfeitos combatentes de radicais livres, que entre outras doenças, são responsáveis por câncer, ataques cardíacos e derrames.
Que tal agora se entregar a esta benéfica e ritualística bebida?
Você sabia que...
Veja aqui a maneira ideal para preparar seu chá.