Polêmica Andina

Vale do Elqui, região pisquera do Chile.
6/agosto/2003
Por: Gabriela Sampaio
Tão antigo quanto as próprias colônias da América Espanhola, o Pisco é um delicioso destilado feito de uvas. Sua origem e nacionalidade até hoje suscitam polêmica entre dois países: Peru e Chile. O primeiro, com o estofo de fatos históricos e geográficos, afirma que a bebida nasceu num porto de mesmo nome, tradicional produtor de vinhos, que na língua dos nativos Incas significa "pássaro". O segundo - que na época dos conquistadores era parte do Vice-Reino do Peru - baseia sua tese em sua respeitável produção da bebida. São 50 milhões de litros por ano (o Peru produz cerca de 1,5 milhão) e dois litros ingeridos por cada chileno anualmente. A diferença entre o pisco peruano e o chileno é que o primeiro tende a ser um pouco mais seco que o segundo.
Pouco popular no vizinho Brasil, a aguardente é destilada do vinho feito de dois tipos de uva: Moscatel de Alejandría e Pedro Jimenez, cultivadas no norte do Chile (Vale do Elqui e Coquimbo) e no sul do Peru.
Ao álcool obtido na destilação do vinho, com cerca de 70º, é acrescentada água desmineralizada, para que o teor alcóolico baixe um pouco e a bebida fique pronta para o consumo. Existem dois tipos de Pisco: o Regular (30º, 35º, 40º e 43º), que tem a aparência de vodka e pode ser utilizado em drinques como o clássico Pisco Sour, entre outros. Já o Reserva (30º, 35º, 40º, 43º, 45º) matura em recipientes de madeira durante alguns meses, ou às vezes até anos, e dela empresta sua coloração mais escura. Além da cor, o que muda entre estes dois tipos da bebida é o gosto. As marcas mais populares são as chilenas Pisco Control e a Pisco Capel.
Muito apreciado como aperitivo, o Pisco é bastante versátil: pode ser usado numa grande variedade de drinques e até arriscado numa caipirinha (Pisquiña). Sua versão mais conhecida, entretanto, é o já mencionado Pisco Sour, cuja origem (tão nebulosa quanto a própria aguardente) é disputada a tapas por chilenos e peruanos. Duas medidas de pisco, uma clara de ovo, suco de limão, açúcar, gelo picado e gotas de Angostura transformam o aguardiente num refrescante, e poderoso, drinque.
Algumas pessoas afirmam que o Pisco leva esse nome também por provocar sensações de "vôo" naqueles que o bebem. Certo ou errado (afinal é mais que sabido que cada pessoa tem sua própria resistência ao álcool), esta aguardente peruana-chilena é item indispensável no bar de um bom bebedor. O Pisco Sour, por sua vez, é uma agradável surpresa para quem ainda não conhece. Não deixe de experimentar!
Para quem for ao norte do Chile, uma dica é visitar a região pisquera de La Serena. O Camino del Pisco é um tour que contempla restaurantes que servem pisco sour na região, cada um com sua receita especial. O passeio ainda inclui uma esticada ao Vale do Elqui, e ás destilarias Pisco Capel e Pisco Control. Outra atração interessante do local são os inúmeros observatórios astronômicos. Com céu limpo durante 300 dias por ano, turistas podem literalmente ver estrelas. Mais informações: www.andeswines.com
Pisco pode ser encontrado em casas de importados, bebidas finas e empórios.
Veja aqui a receita de Pisco Sour.
Pisco Control
www.pisco.cl
Pisco Capel
www.piscocapel.cl