Bonequinha de luxo

Jovial, alegre, magra e sofisticada, Audrey Hepburn determinou
os novos padrões da imagem feminina
Por Alicia Assine
Não houve atriz que melhor representasse a elegância feminina como Audrey Hepburn. Eternizada em clássicos do cinema como Breakfast at Tiffany's (Bonequinha de Luxo) e My Fair Lady (Minha Querida Dama), Audrey se fez ícone de uma época e exemplo atemporal de classe. Nascida em 4 de maio de 1929 na cidade de Bruxelas, na Bélgica, Edda Van Heemstra Hepburn-Ruston era filha de um banqueiro inglês e de uma baronesa holandesa - uma ascendência que por si só já lhe conferia boa dose de estilo. Ainda criança presenciou os horrores da 2ª Guerra Mundial, mudando-se para Londres onde recebeu uma bolsa para estudar balé. Graciosa, dona de um corpo esbelto e de longas pernas, Audrey logo começou a atrair a atenção de fotógrafos de moda, realizando inclusive alguns comerciais para televisão.
No início dos anos 50, encantou-se pela aura mágica do cinema, inscrevendo-se no curso de Felix Aylmer e atuando em pequenos papéis. Enquanto filmava Monte Carlo Baby, na Riviera Francesa, conheceu a famosa romancista Colette que, encantada com sua beleza, convidou-a a participar da adaptação de Gigi na Broadway. Frágil e radiante, infantil e ao mesmo tempo infinitamente feminina, Miss Hepburn se transformou na heroína ideal. Seu sucesso na peça levou-a a atuar ao lado de Gregory Peck no filme Roman Holiday (A Princesa e o Plebeu) que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz daquele ano de 1953 - ela ainda receberia outras seis indicações para a mesma categoria. Embora tenha tido brilhante aparição em grandes sucessos como Sabrina, Funny Face (Cinderela em Paris), The Nun's Story (Uma Cruz a Beira do Abismo), entre outros, foi Breakfast at Tiffany's (Bonequinha de Luxo) que consagrou sua classe na história do cinema. Na época de seu lançamento, em 1961, o filme detonou uma histeria de estilo sem precedentes: todas queriam ser como Hepburn e sua Holly Golightly. Do glamour e encanto de NY ao requintado figurino do estilista Hubert Givenchy, tudo na tela remetia a um universo de glamour e encanto.
Após ter estrelado o filme Wait Until Dark (Um clarão nas trevas), em 1967, Audrey desapareceu das telas durante nove anos decidida a dedicar-se à família. Na sua volta, em 1976, gravou ainda cinco filmes, o último deles, Always (Além da Eternidade), em 1989. Nomeada embaixadora da Unicef, Audrey dedicou seus últimos anos às causas humanitárias e à caridade, principalmente em socorro às crianças da África e da América do Sul. Logo após uma missão de ajuda aos famintos da Somália, foi diagnosticada com câncer de colo, ao qual acabou sucumbindo em janeiro de 1993. Sua morte foi sentida internacionalmente como a perda de uma das maiores atrizes de todos os tempos, ícone do estilo, da elegância e da dignidade.